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Direito bancário · Juros e revisão

“Já paguei muito e a dívida continua quase a mesma.”

Juros altos não são, por si sós, ilegais. O que se discute é taxa muito acima da média de mercado para a mesma operação, taxa cobrada acima da que foi contratada e encargos que não deveriam estar ali. A resposta está no contrato e nos números, e é por eles que a análise começa.

Tipos

O que costuma estar errado no contrato.

Um mesmo contrato pode ter mais de um destes pontos.

  1. 01

    Juros muito acima da média

    O Banco Central divulga a taxa média de cada tipo de operação, mês a mês. Taxa muito acima dessa média, sem justificativa, pode ser revista.

  2. 02

    Juros acima do que foi contratado

    O contrato diz uma taxa e a parcela foi calculada com outra, maior. No consignado de aposentado, há ainda o teto de juros fixado pelo INSS.

  3. 03

    IOF cobrado duas vezes

    O imposto aparece descontado no valor liberado e de novo embutido no financiamento.

  4. 04

    Seguro prestamista empurrado junto

    O seguro veio no pacote, sem você poder escolher outro ou não contratar. O STJ já decidiu que o consumidor não pode ser obrigado a contratar o seguro com o banco ou com a seguradora indicada por ele.

  5. 05

    Financiamento de veículo ou imóvel

    Tarifas, seguro, IOF e juros somados no financiamento, que encarecem a parcela durante anos.

Primeiro passo

Como começar a conferir.

  1. 1Encontre o contrato. Se não tiver, o banco é obrigado a fornecer uma cópia, e o escritório pode fazer o pedido formal.
  2. 2Localize a taxa de juros mensal e anual e o Custo Efetivo Total (CET) no contrato.
  3. 3Compare o valor liberado com o valor financiado: a diferença mostra o que foi embutido.
  4. 4Separe os extratos ou boletos das parcelas pagas.

Pedidos

O que pode ser pedido.

Com o contrato e o cálculo em mãos, a revisão pode envolver:

  • Aplicar a taxa média de mercado no lugar da taxa abusiva, ou a taxa contratada no lugar da cobrada a mais.
  • Excluir o IOF duplicado, o seguro imposto e as tarifas indevidas.
  • Recalcular o saldo devedor e as parcelas.
  • Devolver o que foi pago a mais, de forma simples ou em dobro conforme o caso.

Como funciona

Do primeiro contato ao caso resolvido.

  1. 01

    Conversa inicial

    Você conta o que está acontecendo, por WhatsApp, vídeo ou no escritório. Sem formulário longo.

  2. 02

    Leitura dos documentos

    Extrato, contrato e histórico do benefício são lidos por inteiro, para saber o que foi contratado e o que foi cobrado.

  3. 03

    Caminho definido por escrito

    Reclamação formal, negociação ou ação judicial. Você recebe a explicação do caminho e do escopo antes de qualquer passo.

  4. 04

    Acompanhamento

    Cada movimentação relevante é explicada em linguagem simples, sem precisar decifrar o processo.

Documentos

O que separar para a análise.

  • Documento de identidade e CPF
  • Contrato ou cédula de crédito
  • Extratos ou boletos das parcelas pagas
  • Extrato da conta do mês da liberação do dinheiro
  • Para consignado: extrato de empréstimos do Meu INSS ou contracheque

Não tem tudo? Comece com o que tiver. O que faltar o escritório ajuda a pedir.

Quem conduz o seu caso

Retrato de Vitor Henrique Santos Silvino

Dr. Vitor Silvino

Vitor Henrique Santos Silvino

OAB/MG 230.955

Atuou no Grupo BMG (Banco BMG) e na Serasa Experian, além de grupos empresariais e hubs de investimentos. Viu por dentro como o banco concede o crédito, averba o consignado, registra a dívida e cobra. É de onde vem a familiaridade com contrato, com desconto em folha e em benefício e com execução vista dos dois lados do balcão: quem cobra e quem é cobrado.

Perfil completo de Vitor Silvino

Perguntas frequentes

As dúvidas que mais chegam.

Todo juro alto é abusivo?
Não. A referência é a taxa média de mercado para a mesma operação, no mesmo período. O que se discute é a taxa muito acima dessa média, e isso se verifica com cálculo.
Não tenho o contrato. Dá para revisar?
Dá para começar. O banco é obrigado a fornecer a cópia do contrato, e, se não fornecer, existe ação para exigir a exibição do documento.
Posso parar de pagar enquanto discuto?
Não é recomendável parar por conta própria. Atraso gera mora e, no financiamento de veículo, abre caminho para a busca e apreensão. O que pode ser pedido ao juiz é outra coisa, conforme o caso.
Vale a pena revisar um contrato já quitado?
Pode valer. O que foi pago a mais pode ser pedido de volta, dentro do prazo legal.
O seguro prestamista é obrigatório?
Não pode ser imposto. O consumidor tem o direito de não contratar ou de escolher a seguradora. Quando o seguro vem embutido sem essa escolha, a cobrança pode ser discutida.

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